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Não Sou Crítico de Cinema 14 – “Whiplash – Em Busca da Perfeição”

WHIPLASH-1Visceral, impactante e surpreendente. Essas três palavras definem o que é “Whiplash – Em Busca da Perfeição”, filme que surpreendeu na premiação do Oscar, mas injustamente não venceu como Melhor Filme.

Como o próprio nome diz, Whiplash mostra a busca incessante pela perfeição não importando a maneira e o limite usado para se alcançar tal resultado. Ambientado no universo de uma escola de música, o filme mostra o jovem estudante Andrew Neyman, interpretado por Miles Teller, que sonha ser um reconhecido baterista de jazz. Para isso acontecer, passa por treinos incessantes, dolorosos para poder entrar na banda do impetuoso e obececado Terence Fletcher (J.K. Simmons).

Ao conseguir entrar para a banda principal, Teller se depara em um universo totalmente diferente daquele que imaginava e participava. Cercado de músicos talentosos, começa a ver que para chegar ao nível deles é preciso mais do que apenas treinamento e talento, uma vez que os padrões empregados por seu professor são altíssimos e desafiam a lógica natural do aprendizado.

E é nessa parte que vemos o excelente trabalho de J.K. Simmons à frente de Fletcher, pois traz ao personagem uma personalidade de extrema força, que usa dessa forma violenta para fazer com que sua banda chegue a perfeição. Insensível e cruel com os sentimentos dos alunos, usa métodos nada convencionais para isso como humilhação, violência verbal e até mesmo física, quando em um determinado momento, ao ver que Teller não consegue alcançar o ritmo que ele deseja, inesperadamente atira um banco na direção do novato aluno.

A virada na personalidade de Teller acontece nesse momento, quando pressionado e obstinado pela perfeição passa a executar treinamentos frenéticos, que além da exaustão causam danos físicos, como vemos em alguns momentos suas mãos machucadas e sangrando em cima de sua bateria. Além disso, vemos que essa busca por se tornar o músico perfeito afeta diretamente o seu dia a dia, onde não consegue manter um relacionamento pessoal com quase ninguém, seja ela com amigos, ou até mesmo sua namorada, que depois que toma coragem para se aproximar, termina com ela da maneira mais cafajeste que existe, sem nenhum pingo de sentimento e compaixão pelo que ela sente por ele.

Vale ressaltar que a atuação de Andrew Neyman é respeitavelmente boa, o que o firma como um dos jovens atores mais talentosos da safra de Hollywood. Facilita muito o fato dele interpretar um jovem de aspecto comum, que facilmente pode ser assemelhado com qualquer pessoa comum, já que a figura de rapaz tímido, mas esforçado em atingir seus objetivos é bem presente em nossa sociedade.

Outros dois destaques importantes. Um vai para a trilha sonora. Simplesmente espetacular, um jazz que fará mesmo aqueles que não gostam desse estilo musical, sentirem um frescor e uma sensação de saciedade perante aos sons apresentados em Whiplash. O outro vai para o diretor Damien Chazelle, que em seu terceiro filme (os outros são “O Último Exorcismo: Parte II” e “Toque de Mestre”) traz uma direção muito segura, com cenas e discussões interessantes, que soube prender a atenção do espectador.

“Whiplash – Em Busca da Perfeição” era o filme mais improvável na lista de indicados ao Oscar, mas sem dúvida o que mais merecia o prêmio ao invés de Birdman.

Elenco – Andrew Neyman, J.K. Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoist, Jayson Blair, Austin Stowell

Diretor – Damien Chazelle

Nota para “Whiplash – Em Busca da Perfeição” – 9 de 10

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