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Não Sou Crítico de Cinema 18 – “Que Horas Ela Volta?”

the_second_mother_stillNunca fui muito fã do cinema nacional, pelo menos dos mais populares que em resumo apresentam o mesmo gênero (comédia pastelão de péssima qualidade), e excesso de atores “globalizados” em suas tramas, que passa a sensação, na maioria das vezes, de que estamos assistindo mais um telefilme (filmes voltados para a TV) do que uma obra cinematográfica.

Portanto, foi uma grande surpresa quando me deparei com “Que Horas Ela Volta?”, filme totalmente diferenciado no meio desse “mar de porcarias” que se encontra o nosso cinema nacional. E isso se deve muito ao desenvolvimento do filme, que consegue a cada cena fazer com que o espectador se envolva mais com a história, e no final da história a torcida pelo desfecho ideal é uma sensação sem igual.

E quase 100% dessa sensação se deve a atuação de Regina Casé, única atriz conhecida do grande público que dá um show de interpretação, no tipo de papel que ela melhor sabe, o de pessoa comum, sem luxos e com trejeitos bem regionais. No papel da doméstica Val, a atriz consegue personificar com muita maestria os conflitos de uma pessoa simples do Nordeste (no caso aqui Pernambuco), que vive no meio de uma tradicional família da alta sociedade paulistana.

A história de “Que Horas Ela Volta?” gira em torno de Val, que saiu de Pernambuco rumo a São Paulo em busca de uma melhor expectativa de vida e a realização de possíveis sonhos. Mas, o que na verdade ela consegue é um emprego de empregada doméstica em uma família, outrora rica, mas que nos dias atuais vive amparada no nome e no status conseguido nas décadas passadas.

Os conflitos de classe apresentados são bem estruturados e em momentos distintos, chega a causar uma mescla de sensações no espectador, que ora acha que Val é tratada com igualdade pelos seus patrões, mas poucas cenas após, vê que realmente a emprega doméstica não faz parte e não vai conseguir ser bem recebida na alta sociedade.

Os únicos momentos que notamos que não existe diferenciação entre os dois universos é no convívio de Val com o Fabinho, único filho da família, pelo qual ela tem um sentimento de quase mãe com o garoto que criou desde os seus cinco anos de idade, e que na maioria das vezes, trata a doméstica com o carinho que não consegue dispensar a sua própria mãe.

Como já era esperado, visto que o público não está acostumado com obras de qualidade no cinema nacional na atualidade, o filme não é um sucesso de bilheteria e o pior, é muito pouco falado entre as pessoas. Até o momento, “Que Horas Ela Volta?” foi assistido por quase 500 mil pessoas. Número bom em termos da indústria nacional do cinema, mas péssimo para os padrões das nossas obras, visto que filmes sofríveis como “Se Eu Fosse Você” e “De Pernas pro Ar” ultrapassam fácil as casas dos milhões de espectadores.

Enfim, “Que Horas Ela Volta?” é um exercício de como um filme pode ser bem realizado, sem se amparar em um excesso de atores “renomados” e clichês desgastados que se apegam a situações às vezes asquerosas para conseguir um riso ou um sorriso do seu público.

Elenco – Regina Casé, Michel Joelsas, Camila Márdila, Karine Teles, Lourenço Mutarelli

Diretora – Anna Muylaert

Nota para “Que Horas Ela Volta?” – 7,5 de 10

Texto publicado originalmente no site da Associação Sorocabana de Imprensa (ASI) em 23 de novembro de 2015

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